Filho do médico e escritor Mário Mendes Campos e de Maria José Lima Campos, Paulo Mendes Campos herda de sua mãe, amante da
literatura, o hábito da boa
leitura. Reprovado nos primeiros anos de estudo, foi internado no Colégio Dom Bosco, na cidade de
Cachoeira do Campo, onde surgiu o interesse pelas letras (1933). Conclui o curso secundário em 1939, em
São João del-Rei e ingressa, sucessivamente, nos cursos de odontologia, veterinária e direito, mas não concluiu nenhum deles. Nessa época (1940), de volta a Belo Horizonte, participa da vida literária como integrante da geração mineira a que pertencem
Fernando Sabino,
Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino,
João Etienne Filho e
Murilo Rubião e publica no suplemento literário da
Folha de Minas que chegou a dirigir durante algum tempo.
2 Seu sonho de ser
aviador também não se concretizou. Diploma mesmo, ele gostava de brincar, só teve o de
datilógrafo.
Em 1945, vai para o
Rio de Janeiro a fim de conhecer o poeta
Pablo Neruda. Permanece no Rio, onde já estava morando o amigo mineiro Fernando Sabino e para onde depois também se mudarão Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino. Colabora nos principais jornais cariocas, mais assiduamente em
O Jornal,
Correio da Manhã – do qual foi redator durante dois anos e meio – e
Diário Carioca – onde manteve uma coluna diária intitulada "Primeiro Plano". Foi, durante muitos anos, um dos três cronistas efetivos da revista
Manchete 3 2 e Diretor de Obras Raras da Biblioteca Nacional (In: Dicionário Enciclopédico Koogan - Larousse).
Em
1947, é admitido como fiscal de obras e chega a redator, no extinto Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado - Ipase
Em
1949, vai pela primeira vez à Europa; em
1951, casa-se com Joan Abercrombie, de origem inglesa e lança seu primeiro livro,
A palavra escrita.
Como
tradutor de prosa e
poesia, traduziu
Júlio Verne,
Oscar Wilde,
John Ruskin, Jane Austen,
Shakespeare, William Butler Yeats, C. S. Lewis, Charles Dickens, Gustave Flaubert, Guy de Maupassant, H. G. Wells,
Pablo Neruda, Rosalía de Castro, Verlaine, T. S. Eliot, Emily Dickinson, James Joyce, Cummings, William Blake, Umberto Saba, Jorge Luis Borges, entre outros.
2
Muitas das traduções em prosa foram adaptações para o público infanto-juvenil, boa parte delas publicadas pela primeira vez na década de 1970 pela Ediouro/Tecnoprint. Atualmente também há traduções-adaptações suas editadas pela Scipione e pela Martins Fontes. Quanto à poesia, a maior parte das traduções pode ser encontrada nos livros Trinca de copas e Diário da Tarde. De Neruda, traduziu os livros Canto Geral, Residência na Terra I e Residência na Terra II.